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Sindirochas estima expectativas para o setor de rochas ornamentais


O Espírito Santo continua no caminho certo quando se trata do setor de rochas ornamentais. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Rochas (Abirochas), o setor foi responsável por 80% do faturamento das exportações.

Para avaliar o setor em 2018 e comentar as expectativas para 2019, ES Brasil ouviu o presidente do Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais Cal e Calcário do Estado do Espírito Santo (Sindirochas-ES), Tales Machado. Confira a entrevista!

As transações comerciais em 2018 encerraram com um montante de US$ 992,5 milhões em exportações. O Espírito Santo permaneceu na hegemonia de principal Estado exportador brasileiro, respondendo por US$ 791,3 milhões das exportações, o equivalente a 79,37% do total de faturamento do país e cerca de 8% do PIB estadual. No ranking das 30 maiores empresas exportadoras do setor em todo Brasil, 28 delas são capixabas.

Apesar de ter mantido seu posto de principal Estado exportador em 2018, o resultado final do ano ficou 10,38% abaixo do que foi verificado em 2017 (exportações brasileiras), essa queda se deu, principalmente, por três grandes eventos externos: a greve dos caminhoneiros e dois problema com navios na rota do Espírito Santo, um foi um acidente com um navio no Porto de Santos em uma embarcação que viria para Vitória e o outro foi a quebra de um navio no Estado, que ficou parado por mais de 30 dias e prejudicou muito o embarque dos nossos materiais. Nos últimos quatro meses, no entanto, foram de resultados positivos, se comparados com o mesmo período de 2017. De setembro a dezembro, houve uma retomada do crescimento, com pico no mês de novembro, cujo resultado foi 24,92% melhor que o mesmo mês em 2017. Já nas exportações capixabas foi detectado o mesmo comportamento, apenas alterando o mês mais positivo para dezembro, com crescimento de 24,58%.


Em razão do cenário econômico nacional e internacional, acreditamos que 2018 foi um bom ano. O final dele trouxe números animadores para as exportações de rochas ornamentais.

Como o Espírito Santo está posicionado em relação ao Brasil? Continuamos como líderes na exportação de rochas ornamentais?

Dados da Associação Brasileira de Rochas Ornamentais (Abirochas) apontam que o Brasil ocupa a 4ª posição de países que mais produziram pedras naturais, sendo responsável por 7% da produção mundial do setor de rochas. O Espírito Santo é líder nas exportações de rochas ornamentais. Em 2018, permaneceu na hegemonia de principal estado exportador brasileiro, respondendo por US$ 791,3 milhões das exportações, o equivalente a 79,37% do total de faturamento do país. Isso é mais do que a soma do todos os outros estados exportadores.

Atualmente, quais são os maiores parceiros comerciais do Espírito Santo? Como o Estado tem se articulado para aumentar o resultado do setor?

No ano passado, os três principais destinos das rochas brasileiras foram: Estados Unidos, China e Itália, respectivamente. Apesar da retração registrada nas exportações para o mercado americano, a China aumentou o consumo dos nossos produtos elevando em 33,4% sua importação de 2015 para 2018. Por isso, é fundamental a diversificação dos mercados, para diminuir a dependência do humor e da economia do mercado americano.

O Sindirochas tem sido um dos fomentadores da diminuição das barreiras comerciais do Espírito Santo diante o mercado internacional. Entre várias articulações, temos trabalhado para conseguir rotas de navios diretas entre o Estado e países consumidores de nossos produtos. O Estado também vem se articulando com o intuito de fomentar negócios com o mercado internacional. No ano passado, por exemplo, foi realizada uma missão especial aos EUA como estratégia para promover inserção mais competitiva de produtos e serviços capixabas no mercado americano.

O índice de faturamento do setor é satisfatório? O que falta para crescermos ainda mais?

O setor já apresentou números melhores, como em 2014 e 2015. Podemos melhorar muito. O bom desempenho no último quadrimestre de 2018 nos deu expectativa de retomada do crescimento do setor. O setor de rochas ornamentais brasileiro tem como marca o pioneirismo, arrojo, inovação e adaptação muito rápidas. Sempre procurou atender as demandas mundiais e teve que buscar as alternativas para isso, seja importando tecnologia, seja criando suas próprias soluções tecnológicas pela inovação constante. O novo desafio é o aumento da exportação de peças acabadas de rochas ornamentais. Para isso, as empresas precisam passar por um novo salto tecnológico que envolve o desenvolvimento de equipamentos, capacitação de mão-de-obra e melhoria dos processos para atender projetos de arquitetura no exterior, o mercado de obras acabadas é enorme é a participação brasileira nele ainda é muito tímida.

Outro ponto importante é a necessidade de evolução em gestão empresarial e conhecimento das especificidades de seus clientes e mercados estrangeiros. Além disso, a diversificação dos mercados é fundamental para diminuir a dependência econômica do mercado principal.

Quais são as expectativas para 2019, em relação a gestão do presidente eleito? Haverá mais acordos comerciais?

As expectativas com a gestão do novo governo são positivas. Se cumpridas as promessas do novo presidente de menos burocracia, menor intervenção do Estado na vida das empresas e estabilização da economia, cria-se um ambiente de negócio que poderá fazer as empresas brasileiras mais competitivas no mercado exterior, estimulando investimentos, contribuindo para o aquecimento da economia.

O governo já tem sinalizado interesse em aumentar negociações com as grandes economias mundiais, estimulando o crescimento da comercialização entre os países, isso certamente vai gerar oportunidades para o setor de rochas.

Quais são as expectativas para 2019 para o setor?

Considerando o bom desempenho nos últimos quatro meses de 2018, a expectativa é de retomada do crescimento, com fechamento acima do que foi verificado em 2018.

No mercado interno, com a sinalização da estabilização da economia nacional, a reação do setor imobiliário vai gerar demandas para o setor ornamental.

No mercado externo, se não tivermos problemas como os que aconteceram no ano passado, devemos, no mínimo, atingir os mesmos números registrados em 2017. Aliás, se não fossem esses eventos, que afetaram diretamente o desenvolvimento do setor, certamente teríamos registrado números melhores. Temos boas expectativas para este ano no comércio internacional; com o investimento em novos mercados e a entrada no mercado de obras internacionais, o setor deve, em um curto espaço de tempo, retomar o crescimento.

A Vitoria Stone Fair e a Cachoeiro Stone Fair, principais eventos internacionais do setor, serão realizadas neste ano. O que se pode esperar de novidades, parcerias e crescimento econômico para o Estado?

A Vitoria Stone Fair abre o calendário mundial de feiras do setor de rochas ornamentais. Ser a primeira oferta de negócios do ano é muito importante para a economia brasileira e para a movimentação do mercado internacional, sempre ansioso por novidades. Já a Cachoeiro Stone Fair, que acontecerá em agosto, é uma feira mais voltada para o mercado interno, que, aliás, absorve 2/3 da produção nacional. 

As feiras são vitrines para expor toda essa beleza. As empresas se esforçam para sempre apresentarem novidades aos clientes que, já conhecendo o potencial e variedade das rochas brasileiras, já sabem que vão encontrar. É sempre um desafio para as empresas buscar, preparar e expor novidades todos os anos. Isso é estimulante, desafiador e promove cada vez mais o Brasil e o Espírito Santo no exterior.

Tanto a Vitoria como a Cachoeiro Stone Fair estimulam a comercialização de rochas ornamentais, por meio delas, vendas e acordos comerciais são fechados. Isso gera desenvolvimento, emprego e renda para o Estado. Durante o período desses eventos, há um acréscimo nas negociações e uma circulação extra de clientes nacionais e internacionais movimentando vários setores da economia local como hospedagem, alimentação, transporte e turismo.

O Espírito Santo continua na liderança quando se trata da maior diversidade de pedras naturais do mundo, com grande variedade de materiais clássicos e exóticos? Esse é um nicho que pode ter ainda mais destaque neste ano?

O Espírito Santo tem o maior arranjo produtivo de rochas, mas, mais do que isso, por aqui passam 80% das exportações do país. O destaque do Estado não é apenas no tipo de materiais, mas em toda cadeia produtiva que atua na transformação do produto.

Atualmente, os materiais chamados “exóticos”, ou movimentados, possuem maior apelo comercial e valor agregado, mas os clássicos continuam com a maior parte do mercado, entre eles se destacam os pretos e amarelos, por exemplo.

*Matéria publicada no site ES Brasil em 28/01/2019.





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